Minhas memórias
sábado, 7 de janeiro de 2012
Memórias da infância
Tive uma infância linda! Criada com muito amor, carinho e ensinamentos.
Minha avó muito dedicada, fazia vestidos lindos e bordados para mim.
Eu tinha os cabelos cacheados que ela cuidava com dedicação.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Estudei em Assis, no Instituto de Educação Dr Clybas P. Ferraz, hoje "o Clybas" como é chamado.
Era uma rede escolar muito "conceituada", a partir dos seus conceitos.
Termos para camuflar o preconceito social e racial que "era" predominante.
Nunca consegui achar graça nas piadinhas constantes envolvendo negros e pobres. Porém, devo confessar que amava estudar ali.
Amava os eventos, mas não tinha ainda noção nenhuma de coisas que hoje se explicam entre lembranças.
Colegas da escola achavam graça e riam muito de mim quando Dona Rita Preta passava em frente à escola. Eu corria para encontrá-la e me atirava nos seus braços, deliciando-me daquele abraço que eu tanto amava.
Ela ficava muito feliz, mas dizia sempre: " Ô minha nega, ocê fica fazendo caso dessa preta véia e seus coleguinha fica mangando docê. Ocê num tem vergonha não? Ocê num precisa fazê isso não viu?"
Eu ria dela dizer isso e dizia que eles tinham inveja e que a amava muito.
Quando eu voltava pra junto deles, perguntavam-me se eu não tinha medo de ficar preta... se ela tinha sido minha mãe de leite... mas eu não me importava com nada disso.
Dona Rita Preta
Dona Rita Preta era lavadeira.
Uma baiana de seios fartos, sorriso largo e grandes quadris.
Eu amava demais aquela negra e adorava seu abraço. Era fofo, macio e me fazia sumir nos seus braços.
Minha mãe Maria ( avó materna) dizia que ela parecia com a Mamãe Dolores.
(Atriz Isaura Bruno é a primeira negra a protagonizar uma novela, interpretando Mamãe Dolores em "O Direito de Nascer" - 1964)
"Causos" de minha vida
Nos meus primeiros meses de vida, ainda muito doente, por muitas noites seguidas, pensavam que eu não iria amanhecer viva.
Em Frente à casa dos meus avós, na Travessa da Saudade, em Assis, morava uma senhora que marou muito a minha vida: Dona Rita Preta.
Não se cansava de repetir minha história. Contava que passou noites ao lado daquele bebe moribundo.
Contava que punha uma vela acesa na minha mão, "pra alumiá a passagem" e dizia: " De hoje não passa.Hoje tem defuntinho fresco." lastimava.
E por toda minha infância e adolescẽncia ouvi-a contando esse "causo" a cada vez que eu a via ou apresentava a alguém.
Chamava-me de "minha nega".
Minha adoção
Quando completei 7 meses de vida, meu avô materno decidiu conversar com meus pais e lhes fez uma propostas seguintes condições: Ou eles concordavam em deixa-los me criar definitivamente, ou se virassem comigo e não os procurassem quando eu ficasse doente novamente, fazendo minha avó sofrer como sofria.
Meu pai, alcólotra e pedófilo, não admitia a possibilidade da adoção ou guarda da criança. Ouvi repetidas vezes ele me contar que "me deu" porque o embebedaram.
Como meu avô não aceitava um tratado " só de boca", levou-os ao cartório para formalizar o meu termo de adoção. Presenvando o meu sobrenome Ampúdia, garantiu-me todos os direitos de filha legítima.
Assim, cresci separada dos meus irmão e da realidade dura que viveram.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Natalidade
Nasci em uma pequenina cidade do interiror paulista, chamada Indiana.
Contava a minha avó materna que nasci com uma doente de simioto... nunca soube direito o que significava... Mas, ela dizia que eu era um bebe muito feio. "Uma criança que tinha só cabeça e barriga".
Meus pais eram pobres demais.
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Minha avó contava ( minha tia Nice também) que meus pais moravam no sítio. " No meio do mato" , exageravam.
Minha avó Maria ia me buscar para cuidar de mim. Eu melhorava com seus cuidados, mas adoecia quando me levava de volta.
Lá ela me deixava chorando e chorando ia embora. E chorando ficava até o dia de me buscar novamente. Assim foi até os meus seis meses de vida.
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Minha história
Eu quero muito conseguir escrever a minha história. a história da minha vida. Sempre penso que muitos acontecimentos se perdem ao não serem registrados... enfim...
Faço 52 anos em janeiro de 2012. É estranho porquem me sinto jovem e não consigo ter mentalidade de uma senhora prestes a entrar para a terceira idade.
Isso seria positivo se as pessoas da minha família me aceitassem assim.
Mas acabo não sendo a avó modelo padrão.
Assim como a minha história que esta repleta de desencontros e controvérsias
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